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	<title>Inês Franco Alexandre &#187; Terapia de casal e familiar</title>
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	<description>Psicologia Clínica</description>
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		<title>Que há-de ser de nós</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Nov 2014 19:13:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[IFA Psicologia Clínica + Terapia Familiar]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Relações conjugais]]></category>
		<category><![CDATA[Terapia de casal e familiar]]></category>
		<category><![CDATA[bem-estar conjugal]]></category>
		<category><![CDATA[conflitos no casal]]></category>

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		<description><![CDATA[Que há-de ser do mais longo beijo que nos fez trocar de morada dissipar-se-á como tudo em nada? (Sérgio Godinho) &#160; O tempo passa, e eu não paro de me surpreender. Não há um só dia em que atenda um casal que não venha para casa pensativa. Como terapeuta, estou cada vez mais atenta às&#160;<br /><br /><a class="btn btn-success btn-lg" href="https://www.psicologiaclinicaifa.pt/que-ha-de-ser-de-nos/">Continuar a Ler &#8594;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Que há-de ser do mais longo beijo<br />
que nos fez trocar de morada<br />
dissipar-se-á como tudo em nada?</p>
<p>(Sérgio Godinho)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">O tempo passa, e eu não paro de me surpreender. Não há um só dia em que atenda um casal que não venha para casa pensativa. Como terapeuta, estou cada vez mais atenta às minhas próprias perguntas sobre as pessoas que atendo, porque julgo que são as elas, e não as afirmações, que mais me dizem sobre os casais e que mais me apontam soluções. Noto então que, à medida que o tempo passa, as minhas perguntas vão mudando. Vasculho os meus papéis de quando comecei a fazer terapia de casal:</p>
<p style="text-align: justify;">- como é que comunicam? Que forma assume os conflitos neste casal?</p>
<p style="text-align: justify;">- têm papéis de simetria, de complementaridade, ou alternam?</p>
<p style="text-align: justify;">- por que razão surgiu uma terceira pessoa?</p>
<p style="text-align: justify;">- qual é o problema principal deste casal? Quais são os temas que me trazem?</p>
<p style="text-align: justify;">- Como funcionam as relações de poder neste casal?</p>
<p style="text-align: justify;">E num relance vejo como, ao longo dos anos, os casais me foram transformando na minha forma de olhar para eles e para o que os traz à terapia. O que me terá levado a mudar a forma como olho para os casais? O que me ensinaram eles?</p>
<p style="text-align: justify;">Os temas que levam um casal à terapia podem ser vários, sendo os mais comuns: discussões frequentes; perda de confiança no outro; afastamento emocional (“já não falamos”); infidelidade de um dos elementos; falta de projectos comuns; sentimentos de incompreensão da parte do outro (“parece que já não falamos a mesma língua”); falta de desejo, perda de intimidade; críticas constantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Se é verdade que os temas que os casais nos trazem são importantes, o tipo de problema não parece influenciar o sucesso da terapia. Talvez por essa razão as minhas perguntas tenham mudado. Então quais são os preditores do sucesso num casal? É minha experiência que, tão ou mais importantes para que os casais voltem a atingir o bem-estar são as perguntas que me faço sobre o outro lado da balança:</p>
<p style="text-align: justify;">- Quem são estas duas pessoas? Que sonhos têm? O que as realiza? O que é que as faz vibrar? O que as preenche?</p>
<p style="text-align: justify;">- O que é que cada uma destas pessoas quer da vida? E de uma relação amorosa?</p>
<p style="text-align: justify;">- O que é que cada um deles é que não está a conseguir ser, neste momento, nesta relação?</p>
<p style="text-align: justify;">- Como gostavam que fosse esta relação?</p>
<p style="text-align: justify;">- O que uniu este casal?</p>
<p style="text-align: justify;">- Que manifestações de afecto existiram em sessão?</p>
<p style="text-align: justify;">- Interessam-se pelos projectos e bem-estar um do outro?</p>
<p style="text-align: justify;">- Querem-se? Desejam-se?</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos terapeutas de casal resumem a terapia aos processos de “aprender a comunicar” e “aprender a gerir conflitos”, focando-se nos temas que os casais dizem ser a sua principal fonte de discussões. No entanto, se é certo que a aprendizagem de um casal sobre a gestão dos conflitos é importante, parecem existir aspectos mais essenciais a explorar.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns estudos indicam que a maior parte dos conflitos no casal são irresolúveis (Gottman, 2001), porque têm como subjacentes diferenças fundamentais, entre os dois elementos, na perspectiva, personalidade, forma de estar na vida. Muitos casais vivem anos e anos a tentar transformar o outro nestes aspectos essenciais (muitas vezes sem disso terem consciência), o que é bastante visível no tipo de discurso presente na maioria dos casais que nos chegam:</p>
<p style="text-align: justify;">- Então qual ou quais são, na vossa perspectiva, os problemas deste casal?</p>
<p style="text-align: justify;">- O problema é que ela é demasiado exigente.</p>
<p style="text-align: justify;">- O problema é que ele não tem iniciativa.</p>
<p style="text-align: justify;">Os temas podem ser a divisão das tarefas de casa, a decisão sobre as férias, a gestão do dinheiro, o cuidado dos filhos. Feliz ou infelizmente, num casal existe um sem fim de conteúdos sobre os quais discutir. E este ciclo de acusações mútuas pode multiplicar-se ao longo do tempo, com a constatação frequente, de parte a parte, de que nada mudou.</p>
<p style="text-align: justify;">Os casais satisfeitos com a sua relação e aqueles que têm sucesso terapêutico também têm discussões irresolúveis: também gritam, também amuam, também se entristecem, também se zangam. Mas de algum modo parecem saber, no seu íntimo, que no essencial o outro não se alterará apenas porque o desejam. Provavelmente, é esta aceitação da imperfeição do outro que permite que a forma dos conflitos destes casais esteja menos carregada de negatividade e de ataques directos. E, talvez ainda mais importante, há um maior movimento de abertura e de amor em relação ao outro que lhes permite desfrutar mais dos momentos que passam juntos, admirar mais o seu parceiro e por isso desejá-lo mais, lembrar-se do que os fez juntar-se com um sorriso, receber de braços abertos o que o outro tem para lhes dar. No fundo, cada um deles consegue olhar para si e entender em que é que contribui para o problema, qual a sua responsabilidade, e por isso ganham a liberdade de poder escolher fazer diferente.</p>
<p style="text-align: justify;">Não sei que perguntas me farei sobre os casais que vierem ao meu encontro daqui a cinco anos, mas elas serão seguramente diferentes das que me faço hoje em dia. Ontem mesmo, numa primeira sessão, olhei para eles e fiz-me duas perguntas:</p>
<p style="text-align: justify;">- olham um para o outro enquanto falam?</p>
<p style="text-align: justify;">- riem-se em conjunto?</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez no fundo me perguntasse se se amam. Agradeço-lhes a resposta. Que o tempo passa, e eu nunca paro de me surpreender.</p>
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		<title>O nascimento do primeiro filho: (Im)perfeitas mudanças</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Nov 2014 19:07:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[IFA Psicologia Clínica + Terapia Familiar]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Parentalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Relações conjugais]]></category>
		<category><![CDATA[Terapia de casal e familiar]]></category>
		<category><![CDATA[Filhos e conjugalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Nascimento do primeiro filho]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; O nascimento do primeiro filho constitui um dos momentos mais importantes na vida, e uma das grandes etapas do ciclo de vida do casal. Muitas vezes é encarado como o culminar da felicidade do casal, espelhado nos filmes e nas histórias que ouvimos desde crianças: no final casaram (tiveram filhos) e viveram felizes para&#160;<br /><br /><a class="btn btn-success btn-lg" href="https://www.psicologiaclinicaifa.pt/o-nascimento-do-primeiro-filho-imperfeitas-mudancas/">Continuar a Ler &#8594;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">O nascimento do primeiro filho constitui um dos momentos mais importantes na vida, e uma das grandes etapas do ciclo de vida do casal. Muitas vezes é encarado como o culminar da felicidade do casal, espelhado nos filmes e nas histórias que ouvimos desde crianças: no final casaram (tiveram filhos) e viveram felizes para sempre. A expectativa é, assim, quase sempre muito elevada: chegou finalmente o momento de ser feliz! Apaixonámo-nos, namorámos, crescemos, discutimos, casámos, discutimos, lutámos, tivemos um filho. O que eu andei para aqui chegar…</p>
<p style="text-align: justify;">Constituindo este um momento, sem dúvida, de extrema felicidade, a verdade é que constitui também, para o casal, um momento de grande transformação e muitas vezes de crise. O assumir dos novos papéis de mãe e de pai implica necessariamente uma mudança no casal. Estudos indicam que 70% das mulheres se sente insatisfeita com o casamento no final do primeiro ano de vida do filho, e os homens revelam essa insatisfação um pouco mais tarde (Gottman, 1999). Esta insatisfação vem por vezes associada a sentimentos de culpa e frustração: “este não devia ser o período mais feliz das nossas vidas? Então porque é que de repente nos passámos a dar mal?”.</p>
<p style="text-align: justify;">A chegada de um filho tem uma série de implicações práticas na vida de um casal. A falta de tempo, a falta de sono, o choro constante &#8211; chora de quê? De fome? De sono? De dores? -, as fraldas, os banhos, as papas, as cadeirinhas, a nova dinâmica familiar alargada – “a minha mãe disse-me para te dizer que ele deve dormir de lado, e não como disse o teu tio…” &#8211; há toda uma série de ajustes que ocupam o tempo e a disponibilidade quase por completo. E além dos aspectos mais práticos e que tantas vezes geram discussões no casal – “como é possível que não tenhas posto a máquina da roupa a lavar, com toda esta confusão?!; “eu disse-te que hoje não era dia de visitas dos teus pais, preciso de descansar!!!” &#8211; juntam-se outras dificuldades, menos visíveis e por vezes difíceis de gerir. Surgem dúvidas quanto às capacidades de ser boa mãe/pai, e também quanto aos sentimentos no casal: “só falamos para resolver quem fica com ele na manhã seguinte ou sobre as suas novas aprendizagens”; “não tenho sentido desejo sexual, já não gostarei dele/dela?”; “simplesmente já não conseguimos falar, e nós que tínhamos sempre assunto”. O que foi feito de nós?”.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de todas as exigências exteriores, este é também o tempo de apostar no casal. Algumas estratégias podem ajudar: promover espaços só para o casal, mesmo que se resumam àquela hora de descanso; estar atento ao outro e às suas necessidades, mostrar compreensão; aprender a expressar as nossas próprias dificuldades e emoções sobre o que queremos, precisamos, gostamos; aprender a conciliar diferenças, nomeadamente em relação aos estilos parentais; aprender a gerir os novos conflitos, estar disponível para mudar algumas coisas na forma de estar com o outro.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos casais dirão que simplesmente não é a altura de pensarem neles e na sua relação: “este tempo é do meu filho, só quero o seu bem-estar”. É claro que um filho é uma prioridade, mas esquecemo-nos tantas vezes que o seu bem-estar também passa pelo nosso. Afinal, somos o seu primeiro modelo na forma como lidamos connosco, com o outro, com a vida. Estarmos bem com o outro não significa estar sempre tranquilo, não discutir, nunca estar triste, não ter conflitos ou dificuldades, mas sim que nos respeitamos e às nossas necessidades, que damos espaço à imperfeição – <em>minha</em>, <em>tua</em>, <em>nossa</em> &#8211; e que criamos oportunidades de aprender a geri-la. Para que nos sintamos bem. Connosco, com o outro, com a vida.</p>
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		<title>Enlouquece-me</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Nov 2014 19:02:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[IFA Psicologia Clínica + Terapia Familiar]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Relações conjugais]]></category>
		<category><![CDATA[Terapia de casal e familiar]]></category>
		<category><![CDATA[Paradoxos]]></category>

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		<description><![CDATA[Ele &#8211; Mas diz-me, quando nos chateamos preferes falar sobre o que aconteceu ou queres que te deixe em silêncio? Ela &#8211; É óbvio, por isso não te vou responder a isso. (Passadas algumas horas) Ele &#8211; Desculpa, deve ser óbvio, mas não consigo chegar a nenhuma conclusão. Podes dar-me a solução? Ela &#8211; É&#160;<br /><br /><a class="btn btn-success btn-lg" href="https://www.psicologiaclinicaifa.pt/enlouquece-me/">Continuar a Ler &#8594;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ele &#8211; Mas diz-me, quando nos chateamos preferes falar sobre o que aconteceu ou queres que te deixe em silêncio?</p>
<p style="text-align: justify;">Ela &#8211; É óbvio, por isso não te vou responder a isso.</p>
<p style="text-align: justify;">(Passadas algumas horas)</p>
<p style="text-align: justify;">Ele &#8211; Desculpa, deve ser óbvio, mas não consigo chegar a nenhuma conclusão. Podes dar-me a solução?</p>
<p style="text-align: justify;">Ela &#8211; É óbvio que depende!</p>
<p style="text-align: justify;">O mundo está em transformação, mas a essência das dificuldades nas relações entre os homens e as mulheres parece manter-se. A dificuldade dos homens de entenderem a complexidade do universo feminino e de saberem como adaptar-se às exigências das mulheres é já um clássico. As dúvidas parecem acentuar-se ainda mais nos dias de hoje, em que parece que nem só a economia está em crise. As estruturas sociais, inclusivamente os papéis do feminino e do masculino, estão em mudança, mas ainda não foram criados novos guiões. Na prática, isto significa que andamos todos numa roda a viva sem sabermos bem o que queremos, o que esperamos, o que os outros querem, o que esperam de nós.</p>
<p style="text-align: justify;">Senão vejamos. Elas querem que eles sejam sensíveis e capazes de exprimir os sentimentos, mas que não sejam lamechas ou frágeis (alternando o discurso entre o “tens de aprender a exprimir os teus sentimentos!” e o “mas agora andas sempre a dizer o que sentes e a querer falar sobre isto em vez de fazeres algo para mudar?!”); querem que eles tomem a iniciativa e que tomem decisões, mas que façam como e o que elas querem (“sou sempre eu a tomar a iniciativa em tudo, e ele quando decide, decide sempre mal”); que tenham os seus interesses, sejam interessantes e interessados pelo seu mundo, mas que sejam apaixonados e absolutamente dedicados à relação; que não sejam controladores e as deixem ser livres e independentes, mas se eles não perguntarem nada, isso será visto como sinal de desinteresse (“já não te interessas pela minha vida…”); que não insistam para ter relações sexuais (hoje não! Sabes como ando cansada, não me estás a respeitar”), mas que demonstrem que têm desejo por elas (“não te impões?! Isso só pode querer dizer que já não te sentes atraído por mim!”); que enviem 50 sms por dia sem serem chatos; que as dominem mas demonstrando que são elas que dominam (“tens de pegar em mim, atirar-me contra a parede e levar-me de viagem surpresa para aquele lugar paradisíaco de que te falei há 1 ano atrás”). E a lista seria infindável…</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, o prémio do paradoxo em termos de exigência não vai para elas. Apresentam-se também algumas das exigências masculinas que dão cabo da cabeça a qualquer mulher: eles querem que elas sejam independentes (e que lhes dêem espaço, que eles normalmente precisam de muito ar) mas que se lhes entreguem emocionalmente (“andam frias as mulheres, pouco românticas, já não se entregam…!”); não querem que elas sejam frágeis mas também não querem que elas sejam fortes (“é um muro esta mulher, não se consegue chegar até ela”); querem que elas sejam sensíveis e intensas, mas que não sintam nem discutam demasiado (“magoei-a com isto?! Oh não, lá vamos nós falar sobre a relação”); gostam que elas sejam exigentes, profundas e interessantes, mas rapidamente as transformam em “chatas”, “desrespeitadoras das necessidades e do espaço do outro” ou pouco compreensivas (e cuidado, que podem tornar-se em seres mais interessantes do que eles…!); queixam-se de lhes serem dadas ordens, mas pedem cuidados de mãe. E a lista seria igualmente infindável…</p>
<p style="text-align: justify;">E perguntamo-nos: como sair desta loucura?</p>
<p style="text-align: justify;">Nascemos e crescemos no mundo ocidental, e por isso a resposta mais óbvia e adaptada ao discurso socialmente aceite talvez pudesse ser: define o que queres, escolhe, decide. Inventem-se rapidamente novos papéis. E assim transformávamos o discurso relacional numa lógica linear e simplificávamos significativamente a vida a dois.</p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente, as tentativas feitas até agora de ir apenas nesse sentido parecem ser infrutíferas. Além disso, estaríamos dessa forma a excluir parte da natureza humana, que é esta capacidade que todos temos (talvez elas mais que eles, pelo menos por enquanto!) de incluir numa só pessoa pensamentos, sentimentos e comportamentos opostos, sem que mesmo assim deixe de ser uma só pessoa e passe a dividir-se em duas ou num seu múltiplo, dependendo do número de variáveis envolvidas na cena.</p>
<p style="text-align: justify;">O segredo, dizem alguns entendidos, não está no famoso meio-termo, mas na aceitação de que é possível ser e querer uma coisa e também o seu contrário. Podemos ser muito intensos e muito tranquilos, muito apaixonados e muito independentes, muito exigentes e muito flexíveis, gostar e por vezes odiar, sermos românticos e práticos, doidos e certinhos. E depois de aceitarmos que todos somos o paradoxo em pessoa, aí sim, podemos escolher o que pensar, o que sentir, como reagir. Isto não quererá dizer ser apologista do “vale tudo” ou do salve-se quem puder nesta selva das relações. A existência de uma definição mais ou menos explícita do que queremos, do outro e da relação, é saudável, e pode e deve haver um esforço no sentido de cada um de nós entender quais as suas necessidades e explicitá-las, para que o outro possa escolher corresponder, ou não, às expectativas. No entanto, parece apenas também que se formos rígidos nessa definição, podemos correr o risco de nos desrespeitarmos, por estarmos a esquecer parte do que queremos e precisamos.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, da próxima vez que ela lhe responder que depende, considere que isso pode não querer dizer que ela está a tentar enlouquecê-lo (embora seja bom continuar a incluir essa hipótese explicativa para a irracionalidade do comportamento), e ser apenas…a verdade. E, se nesse dia escolher ser paciente e compreensivo (dependendo do seu próprio estado), poderá sempre perguntar-lhe se, naquele momento, ela prefere falar sobre o problema ou ficar em silêncio. Verá como tudo se resolve ou se dissolve. Ou como é ela quem começa a enlouquecer.</p>
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		<title>Desejo OU segurança?  Desejo E segurança</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Nov 2014 17:27:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[IFA Psicologia Clínica + Terapia Familiar]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Intimidade]]></category>
		<category><![CDATA[Terapia de casal e familiar]]></category>
		<category><![CDATA[desejo e relações estáveis]]></category>
		<category><![CDATA[individualidade e desejo no casal]]></category>
		<category><![CDATA[perda de desejo]]></category>
		<category><![CDATA[segurança]]></category>

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		<description><![CDATA[Muitos dos pedidos em terapia de casal, mesmo que não sejam revelados desta forma no início da terapia, estão relacionados com dificuldades na intimidade, sendo a perda ou diminuição do desejo de um dos parceiros uma das queixas mais frequentes. Existe a crença social que a paixão inicial não se prolonga ao longo do tempo:&#160;<br /><br /><a class="btn btn-success btn-lg" href="https://www.psicologiaclinicaifa.pt/desejo-ou-seguranca-desejo-e-seguranca/">Continuar a Ler &#8594;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Muitos dos pedidos em terapia de casal, mesmo que não sejam revelados desta forma no início da terapia, estão relacionados com dificuldades na intimidade, sendo a perda ou diminuição do desejo de um dos parceiros uma das queixas mais frequentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Existe a crença social que a paixão inicial não se prolonga ao longo do tempo: “antes fazíamos amor todos os dias e o desejo era recíproco. Mas claro, tudo isso diminui quando acordamos a falar sobre o que fazer para o jantar.”</p>
<p style="text-align: justify;">E será, de facto, necessariamente assim? A estabilidade na relação inibe o desejo?</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos terapeutas, perante este tipo de queixas, incita os casais a passarem mais tempo juntos, a ter tempo de qualidade só do casal. Se é verdade que a vida quotidiana retira, muitas vezes, disponibilidade para passar tempo a sós com o outro, também é verdade que essa dificuldade também existia, na maior parte das vezes, no início do relacionamento. Então o que mudou? Será esta estratégia terapêutica realmente adequada?</p>
<p style="text-align: justify;">A especialista Esther Perel fala-nos de duas necessidades básicas no ser humano, e do aparente confronto entre elas: a necessidade de segurança, estabilidade, confiança no outro e a necessidade de novidade, mudança, mistério.</p>
<p style="text-align: justify;">A estabilidade decorre do facto de eu conhecer o outro: como reage perante as situações, quais os seus valores fundamentais, do que gosta, quais os seus limites, que projectos tem. Isto permite-me inferir sobre a forma como vai reagir no futuro, e permite-me confiar e sentir-me seguro. O desejo de novidade tem que ver com uma necessidade intrínseca (e não apenas humana) de exploração, de curiosidade perante o mundo. No entanto, este desejo do desconhecido causa-nos ansiedade. Quem já observou um gato a explorar um objecto novo pode notar como os seus olhos brilham e como simultaneamente os seus movimentos denunciam o seu medo. Nas relações humanas, esta necessidade de exploração estará também relacionada com o desejo: apaixono-me pelo mistério que é o outro. Em resumo: precisamos de ter confiança e de diminuir a nossa ansiedade, mas também de mistério, que nos dá vida mas que aumenta a nossa ansiedade.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos tempos actuais, este confronto parece estar mais presente. Vivemos um clima de ansiedade geral: não sabemos se temos trabalho, se este se manterá, até quando nos manteremos no mesmo lugar, se temos de emigrar, se teremos dinheiro suficiente para pagar as contas. O mundo muda a mil à hora e perguntamo-nos se o conseguiremos acompanhar. E quem melhor do que o nosso companheiro para exercermos a nossa necessidade de controlo sobre o mundo? Esse que nós conhecemos tão bem, a quem reconhecemos o que quer só pelo olhar, que reage de forma tão previsível?</p>
<p style="text-align: justify;">Existirá solução? Como manter o desejo numa relação segura?</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez a(s) solução(ões) passe por entendermos, em primeiro lugar, que as duas necessidades não são opostas, se expressas de uma forma flexível e essencialmente realista. É verdade que a confiança no outro é imprescindível para estabelecermos vínculos seguros e saudáveis, inclusivamente para podermos explorar a nossa sexualidade com confiança. Mas será realista assumir que conhecemos, de facto, o outro? Que sabemos o que pensa, o que sente, como sente, como irá reagir, anulando-lhe dessa forma a sua complexidade que tanto nos apaixona? Será realista assumirmos que já não há nada a descobrir, e por isso nada a conquistar? Desejar é querer para nós, ainda que saibamos que isso nunca irá acontecer na totalidade. Porque no fundo, bem lá no fundo, existe a certeza de que o outro nos escapa na sua liberdade, na sua individualidade. A certeza pela segurança não só é ilusória como pode matar a admiração, uma das grandes componentes da paixão e do desejo.</p>
<p style="text-align: justify;">Não existirá uma solução, mas várias soluções diferentes para cada casal. Como terapeuta, tento fazer o contrário do que acontece com a maioria destes casais: mantenho-me curiosa e atenta a quem está à minha frente, tentando nunca perder a capacidade de me surpreender com as pessoas. Emociono-me (de verdade!) com cada nova descoberta, com cada mudança adquirida. E isso não me impede (antes pelo contrário) de estabelecer uma relação de grande confiança com quem comigo se cruza no consultório. Isso fá-los acreditar na verdade: que vale a pena descobri-los.</p>
<p style="text-align: justify;">E como terapeuta, desafio cada elemento dos casais a quem a rotina parece ter feito perder o desejo: a flexibilizar um pouco os seus limites de segurança e a arriscar-se a olhar para o outro como único e fascinante.</p>
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		<title>Terapia de casal: Parte 2</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Oct 2014 17:08:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[IFA Psicologia Clínica + Terapia Familiar]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Terapia de casal e familiar]]></category>
		<category><![CDATA[crenças relacionais; conflito no casal; autonomia em relação]]></category>

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		<description><![CDATA[Em terapia de casal as crenças de cada um tornam-se visíveis, não só através do conteúdo do que me dizem, mas também através da forma que a dinâmica do casal assume. Por exemplo, num casal em que um dos elementos está visivelmente mais focado na relação – no nós – e menos em si –&#160;<br /><br /><a class="btn btn-success btn-lg" href="https://www.psicologiaclinicaifa.pt/terapia-de-casal-parte-2/">Continuar a Ler &#8594;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em terapia de casal as crenças de cada um tornam-se visíveis, não só através do conteúdo do que me dizem, mas também através da forma que a dinâmica do casal assume. Por exemplo, num casal em que um dos elementos está visivelmente mais focado na relação – no nós – e menos em si – propõe passar mais tempo em casal, é-lhe imprescindível ter projectos a dois, etc. Enquanto o outro elemento está mais focado em si – propõe mais tempo individual, fala mais sobre si e das coisas de que gosta, e até mais sobre o outro enquanto indivíduo separado de si, apreciando-lhe a individualidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Este tipo de dinâmicas pode causar conflitos: quando sinto que o outro não age de acordo com o mesmo modelo que eu, saltam muitas vezes os medos e as inseguranças: se não está tão centrado em nós é porque já não gosta tanto de mim, nada disto lhe faz mais sentido, etc</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns casais dizem-me, com alguma estranheza, que conseguem funcionar melhor em terapia, mesmo discutindo os mesmos assuntos, do que quando estão sozinhos. Falam-me da importância de um árbitro, que faz a mediação entre eles. Julgo que terão razão, e que essa será uma das razões do sucesso da terapia: aprender que sabem fazer diferente, e que o podem fazer sem a presença de um terceiro elemento</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, não considero a minha presença como (apenas) a de um árbitro, que impõe regras e faltas. Perguntei-me muitas vezes o que fazia com que os casais conseguissem discutir, na minha presença, de outra forma. E julgo que uma das razões será o facto de eu permanecer sempre disponível para conhecê-los, e também cada um deles. Ou seja, tendo a adoptar uma postura de curiosidade e compreensão em relação a estas três entidades – os dois eus e o nós – tendo em atenção quais são os modelos relacionais que terão como base, quais as suas crenças, o que consideram ser mais importante para si e para a relação. Juntos, os casais descobrem que diferentes perspectivas não implicam que o outro não nos valide ou não goste de nós, mas simplesmente que isso resulta de uma forma diferente de olhar para a relação, naquele momento, o que depende da sua história individual, do que se passa a outros níveis, do que viveu, etc. E claro que podem também descobrir que a perspectiva do outro não se coaduna, em nada, com a sua própria perspectiva sobre o que querem para si e para a sua relação.</p>
<p style="text-align: justify;">A minha postura permite a cada um dos elementos perceber que é possível que as duas perspectivas coexistam. Simplesmente porque de facto entendo que as duas podem coexistir, sem que uma invalide a outra.</p>
<p style="text-align: justify;">Como é que eu faço isso?</p>
<p style="text-align: justify;">1)      Postura de abertura e curiosidade</p>
<p style="text-align: justify;">2)      Espaço para ouvir o outro sem julgamentos</p>
<p style="text-align: justify;">3)      Fazer o exercício de colocar-se no lugar do outro – o que estou a sentir, etc</p>
<p style="text-align: justify;">4)      Colocar questões e fazer menos afirmações</p>
<p style="text-align: justify;">5)      Entender como é que a perspectiva do outro me faz sentir</p>
<p style="text-align: justify;">Para os casais torna-se, é claro, fazer este tipo de exercício, sobretudo em alturas de conflito, quando os medos e as inseguranças vêm ao de cima. Ao longo do tempo fui também entendendo que, para haver este movimento de abertura e compreensão de parte a parte, que implica descentrarmo-nos e entendermos que as nossas reacções imediatas são grande parte das vezes causadas por inseguranças nossas, seria importante:</p>
<p style="text-align: justify;">1)      Termos presente o amor que temos pelo outro e que ele tem por nós. Centramo-nos com frequência no que corre menos bem na nossa relação, e esquecemo-nos do que vivemos de positivo e dos momentos em que nos sentimos bem;</p>
<p style="text-align: justify;">2)      Promover o conhecimento mútuo: estimule a sua curiosidade sobre a pessoa que tem ao lado. Pergunte-lhe sobre a sua vida, sobre os momentos mais importantes, sobre os seus sonhos, projectos, ambições, princípios;</p>
<p style="text-align: justify;">3)      Apontar e comemorar os momentos bonitos da vossa história;</p>
<p style="text-align: justify;">4)      Relembrar o que o/a apaixonou pelo outro</p>
<p style="text-align: justify;">5)      Perder-se em detalhes: escreva bilhetes, mensagens, dê abraços inesperados, pergunte ao outro como está. O essencial pode estar contido num detalhe.</p>
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		<title>Terapia de casal: Parte I</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Oct 2014 16:59:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[IFA Psicologia Clínica + Terapia Familiar]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Terapia de casal e familiar]]></category>
		<category><![CDATA[individualidade em relação; autonomia; interdependência; crenças; relacionamentos]]></category>

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		<description><![CDATA[Num casal, existem três elementos: o eu, o tu e o nós (Caillé, 1991). Existem duas pessoas, cada uma com a sua história de vida, os seus sonhos e projectos, as suas alegrias e os seus fracassos, os seus medos e fantasmas, a sua forma própria de olhar para o mundo, e uma entidade relacional,&#160;<br /><br /><a class="btn btn-success btn-lg" href="https://www.psicologiaclinicaifa.pt/terapia-de-casal-parte-i/">Continuar a Ler &#8594;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Num casal, existem três elementos: o eu, o tu e o nós (Caillé, 1991). Existem duas pessoas, cada uma com a sua história de vida, os seus sonhos e projectos, as suas alegrias e os seus fracassos, os seus medos e fantasmas, a sua forma própria de olhar para o mundo, e uma entidade relacional, também com uma história e uma identidade própria. Em consonância com esta ideia, existirá então um espaço próprio para estas três entidades: um espaço de diferenciação de cada uma das pessoas – do eu e do tu &#8211; e um espaço de comunhão – do nós – que resulta da intersecção dos outros dois.</p>
<p style="text-align: justify;">A conjugação destes três elementos e dos respectivos espaços nem sempre é fácil. Num casal existem, por vezes, perspectivas diferentes entre as duas pessoas sobre os espaços que a diferenciação e a comunhão devem ocupar. Isto acontece, por exemplo, quando uma das pessoas julga que o nós deverá ocupar muito espaço e exigir naturalmente disponibilidade e energia de cada um, e a outra pessoa imagina que deve existir mais espaço individual e menos de casal. Nestes casos, existe uma dificuldade na conjugação das duas perspectivas sobre o casal. É a diferença de perspectivas, e não o facto de haver uma mais válida do que a outra, que cria o conflito.</p>
<p style="text-align: justify;">As perspectivas ou modelos que criamos sobre as relações dependem de muitos factores: da sociedade em que estamos inseridos, que dita quais as regras de funcionamento numa relação (um relacionamento com sucesso no mundo ocidental e no mundo oriental terá, com alguma certeza, contornos diferentes); dos modelos que tomamos como referência de sucesso &#8211; pais, avós, familiares, amigos – que nos levam a tender a perspectivar as relações da mesma forma; dos modelos que tomamos como referência de insucesso &#8211; pais, avós, familiares, amigos &#8211; e que nos fazem ter medo de repetir outras histórias e nos levam a comportar-nos de forma inversa.</p>
<p style="text-align: justify;">Estes modelos de relação são muitas vezes inconscientes, e consistem em crenças que vamos construindo sobre como devem ser as relações para que tenham sucesso, funcionando como um guião de actuação. Como este guião é, na maior parte das vezes, inconsciente, o que sentimos, os comportamentos que adoptamos e a forma como reagimos aos comportamentos do outro também são, muitas vezes, automáticos. Ou seja, não temos consciência de que sentimos e agimos com base nesses modelos. Mais ainda, temos tendência a confirmar os nossos modelos, através do mecanismo de atenção selectiva, o que quer dizer que nos focamos nos sinais, internos e externos, que nos dizem que o nosso modelo está certo. E porquê?</p>
<p style="text-align: justify;">Todos nós precisamos de crenças sobre as quais assentamos o nosso comportamento. Por exemplo, acreditamos que num mundo justo não devemos roubar, o que faz com que não roubemos. Estas crenças são-nos essenciais, porque são elas que nos permitem explicarmos, a nós e aos outros, o nosso comportamento, uma necessidade presente em todos os seres humanos e que parece estar relacionada com a questão da confiança: confiamos mais em quem sabe explicar melhor o seu comportamento, porque poderemos prever com maior confiança qual o comportamento que irá adoptar em circunstâncias semelhantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Do mesmo modo, acreditamos que para sermos felizes num relacionamento deve haver respeito, simpatia, amor, paixão, cordialidade, que devemos reservar mais ou menos tempo para o casal, mais ou menos tempo para cada uma das pessoas, devemos dar-nos com amigos ou não, sermos mais ou menos fechados, etc. E, uma crença que creio fundamental, acreditamos que é mais ou menos fácil conjugarmos quem somos, a nossa individualidade, com a criação do nós.</p>
<p style="text-align: justify;">Construímos então teorias: sobre nós, sobre o outro e sobre as relações. Tendo como base algumas crenças, tendemos a comportar-nos de acordo com estas, e tendemos também a confirmá-las e reconfirmá-las. Por exemplo, se acredito que o outro gosta de mim, tenderei a procurar sinais que mo confirmem – o meu companheiro diz-me muitas vezes que gosta de mim, está alegre quando está comigo, envia-me mensagens carinhosas a meio do dia – e a desvalorizar sinais do contrário – não agiu como de costume, anda mal disposto há muito tempo, não faz o que lhe peço o que quer dizer que não me ouve.</p>
<p style="text-align: justify;">Sendo incontornável termos crenças, não é incontornável que elas se mantenham as mesmas a vida inteira, e sobretudo que não as possamos flexibilizar. Ao longo do tempo os nossos modelos de actuação tornam-se rígidos, como se fossemos engrossando as paredes da nossa sala e se tornasse cada vez mais difícil comunicar entre compartimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Num casal, os modelos individuais podem funcionar em determinado momento da vida, sendo fácil a conjugação de perspectivas, e não funcionar noutras, sendo necessária alguma mudança ou flexibilização. As diferentes etapas do ciclo de vida do casal, o crescimento individual, os acontecimentos por que vão passando, são elementos que vão obrigando, naturalmente, cada uma das pessoas a rever os seus modelos e o casal a mudar o seu funcionamento. Por exemplo, é provável que a conjugação dos espaços individuais numa fase inicial de paixão não seja semelhante à que acontece quando nasce um filho. Como conjugar, então, a influência de tudo isto na forma como cada uma das pessoas se vai construindo e reconstruindo, na forma como olha para o mundo e para a relação, mantendo um relacionamento satisfatório?</p>
<p style="text-align: justify;">Nestes momentos de alguma crise, torna-se essencial transformá-la numa oportunidade de crescimento a dois. Muitos dos casais que acompanho em terapia e que ultrapassam períodos mais difíceis relatam como muito importante a sensação do esforço ter valido a pena, no sentido de fortalecimento da relação. Na parte II deste texto abordarei alguns dos aspectos que considero relevantes na gestão conjugal destes períodos.</p>
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		<title>Prevenção do divórcio: e viveram (im)perfeitamente felizes para sempre</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Oct 2014 17:57:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[IFA Psicologia Clínica + Terapia Familiar]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Terapia de casal e familiar]]></category>
		<category><![CDATA[Terapia de grupo]]></category>
		<category><![CDATA[prevenção do divórcio]]></category>
		<category><![CDATA[problemas conjugais]]></category>

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		<description><![CDATA[Os números não param de subir: hoje em dia, mais de 1 em cada 4 casamentos termina em divórcio, e o aumento das taxas de divórcio tem sido, nos últimos anos, estrondoso. O que fará com que o divórcio, relatado como um dos acontecimentos mais negativamente marcantes na vida de alguém, seja cada vez mais&#160;<br /><br /><a class="btn btn-success btn-lg" href="https://www.psicologiaclinicaifa.pt/prevencao-do-divorcio-e-viveram-imperfeitamente-felizes-para-sempre/">Continuar a Ler &#8594;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Os números não param de subir: hoje em dia, mais de 1 em cada 4 casamentos termina em divórcio, e o aumento das taxas de divórcio tem sido, nos últimos anos, estrondoso. O que fará com que o divórcio, relatado como um dos acontecimentos mais negativamente marcantes na vida de alguém, seja cada vez mais a saída? Poderemos actuar no sentido de prevenir o crescimento destas taxas?</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos casais chegam à terapia numa fase já de ruptura, e nessas situações é por vezes difícil trabalharmos em conjunto. E isso nota-se, não tanto pela gravidade dos problemas, mas sobretudo pela dificuldade que muitas vezes os dois já têm em entrar em contacto emocional um com outro. Quando lhes pedimos para falarem sobre os aspectos positivos do outro, muitas pessoas surpreendem-se com a dificuldade. Felizmente, o contrário acontece mais vezes, surgindo a surpresa pelo facto de descobrirem que afinal algo que os uniu se mantém – que o outro os reconhece, os admira, os compreende. Por vezes, em poucos minutos, há um reencontro. É fundamental que o casal recrie esses encontros. Amar é uma arte: exige inspiração, mas também esforço. Há que cuidar da relação desde o início, e não apenas quando sentimos que ela chegou a um limite. Cuidar de uma relação é como cuidar da nossa saúde: não vamos começar a fazer exercício físico quando estamos a ter um enfarte.</p>
<p style="text-align: justify;">Estes são alguns dos principais sinais de que a relação pode estar a precisar de ser melhorada: discussões frequentes; sentimento de ser incompreendido pelo outro; estranheza em relação ao outro (“parece que já não o conheço”); falta de objectivos e de projectos comuns; dificuldade em elogiar o outro; sentimentos de zanga e tristeza constantes; afastamento emocional; problemas íntimos antes não existentes; críticas mútuas.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar dos números, há indícios de que algo de positivo começa a acontecer. Cada vez mais a terapia de casal é uma escolha (de mulheres e de homens), e há um esforço visível de muitos para melhorar a sua relação conjugal. E cada vez mais há a consciência de que procurar ajuda é um sinal de inteligência, e não de fraqueza. A flexibilidade, a capacidade de reinventar, é a característica chave para uma vida a dois em pleno. Isto não significa que não haja discussões, conflitos, dificuldades, divergências, amuos, virares de costas, crises, tristeza, zanga, que fazem parte de um crescimento a dois e adulto, sem a expectativa idealizada do outro e da relação (“nós adorávamo-nos, como é que não é tudo perfeito?!”). Quer antes dizer que as dificuldades e os problemas são vividos e ultrapassados, graças não só a um maior entendimento sobre o que se passa – sobre mim, sobre o outro, sobre a relação – mas também à capacidade de apreciar, viver e criar os pesos para colocar no outro lado da balança – cultivar os momentos positivos a dois, a admiração (por nós e pelo outro), o respeito (por nós e pelo outro).</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das possibilidades de terapia de casal é a sua realização em grupos de casais. Aqui, são abordadas as principais temáticas do casal: as principais fases de crise (e de oportunidade), as diferenças, a comunicação, os conflitos, as discussões, a intimidade, os projectos. Neste espaço aposto nos recursos de cada casal, e também na partilha em grupo, que comprovadamente traz grandes benefícios. Até porque o fechamento do casal em si mesmo, o isolamento, potencia as emoções negativas e faz com que as pessoas sintam que apenas elas têm este tipo de problemas. A descoberta da existência do mesmo tipo de problemas noutros casais revela-se muito importante. E aposto também na prevenção: não é necessário ou proveitoso deixar arrastar situações difíceis e levá-las ao limite. Vamos aproveitar quando ainda há elos de ligação entre as pessoas. Para que possamos, realmente, ir vivendo (im)perfeitamente felizes. Para sempre.</p>
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		<title>Terapia de casal: nas suas mãos</title>
		<link>https://www.psicologiaclinicaifa.pt/terapia-de-casal-nas-suas-maos/</link>
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		<pubDate>Tue, 21 Oct 2014 16:51:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[IFA Psicologia Clínica + Terapia Familiar]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Terapia de casal e familiar]]></category>
		<category><![CDATA[terapia de casal]]></category>

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		<description><![CDATA[- Tiraste o frango do congelador? - Não me disseste para tirar o frango. - Claro que disse, tu é que já não me ouves. E mesmo sem ouvir não podias simplesmente ter pensado no que iríamos jantar hoje? - (silêncio, virando costas) Nunca sou eu que trato disso. Não tenho culpa que o dia&#160;<br /><br /><a class="btn btn-success btn-lg" href="https://www.psicologiaclinicaifa.pt/terapia-de-casal-nas-suas-maos/">Continuar a Ler &#8594;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>- Tiraste o frango do congelador?</p>
<p>- Não me disseste para tirar o frango.</p>
<p>- Claro que disse, tu é que já não me ouves. E mesmo sem ouvir não podias simplesmente ter pensado no que iríamos jantar hoje?</p>
<p>- (silêncio, virando costas) Nunca sou eu que trato disso. Não tenho culpa que o dia te tenha corrido mal.</p>
<p>- O que estás aí a dizer?!</p>
<p>(Silêncio)</p>
<p>- Ouviste??? Perguntei-te o que estás a dizer! Como é possível que não entendas o meu cansaço? Sonho com a hora de vir para casa, e de podermos estar finalmente os dois juntos e bem. Como é possível que não me compreendas, ao final de todo este tempo?!</p>
<p>- E tu, como é possível que não me compreendas?!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Este é um tipo de diálogo frequente nos casais que acorrem a sessões de terapia. Por vezes são muitos os anos de insatisfação, de crise continuada, de conflito, de afastamento, de discussões prolongadas e sem resolução aparente. Vemos o que foram juras de amor eterno e sonhos prometidos transformar-se em dias cinzentos, e perguntamo-nos o que foi feito de nós.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, há esperança, mesmo para casais com problemas graves e prolongados no tempo. Um estudo realizado por Andrew Christensen e publicado no daily science do mês de Abril mostra-nos que mesmo os casais com altos níveis de insatisfação crónica melhoram significativamente com a terapia. Neste estudo participaram 134 casais em terapia que frequentaram um programa de terapia de casal que incidia sobre dois aspectos: as mudanças positivas, incluindo melhores formas de comunicar; as reacções emocionais dos dois elementos, sendo trabalhada a compreensão e a sensibilidade. No final do programa, dois terços dos casais mostraram melhorias significativas, que na sua maioria se mantiveram ao longo dos anos.</p>
<p style="text-align: justify;">O factor decisivo, indicam os autores, é o comprometimento mútuo em terapia. Ou seja, para que haja melhorias reais os dois têm de estar fortemente comprometidos em mudar a sua relação e estarem dispostos a trabalhar nesse sentido.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos dias de hoje, e tendo em conta as profundas transformações sociais a que assistimos, viver em casal pode parecer uma odisseia. As crises não são só económicas, políticas e macrosociais, são também familiares. Quantas vezes já se sentiu perdido pelo caminho, se sentiram perdidos pelo caminho? Quantas vezes parou, e pensou: que relação é esta? O que é que eu quero de uma relação? Que história é a nossa? O que é que eu quero construir? O que nos impede de termos a relação que sempre desejámos?</p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade, nada. E às vezes é possível que este desejo se concretize com pequenas mudanças, que tantas vezes provocam grandes mudanças. A vida em casal não passa a ser um mar de rosas, conhece alguém que consiga (e queira!) viver sem nenhum conflito? No entanto podem ser retiradas algumas pedras do caminho que permitam encontrar novas vias, e outras antigas já esquecidas. A relação de casal é uma das mais significativas na vida, e há cada vez mais a consciência de que é fundamental promovê-la, melhorá-la, cuidá-la. Somos responsáveis por regar as plantas, dar comida ao cão, ao gato e ao periquito, manter comida na dispensa, acções que são diárias e constantes, mas nem por isso as achamos estranhas ou pouco naturais. E por vezes esquecemo-nos de ser responsáveis por regar a relação, dar-lhe comida, e mantê-la com alimentos suficientes na dispensa para quando a fome aperta, com o argumento de que tudo devia ser natural, idílico, espontâneo &#8211; “devíamos ser felizes naturalmente, sem esforço!”. Cada vez mais, felizmente, damo-nos conta de tudo isto, e de como afinal tanto da nossa vida em casal pode depender, no sentido positivo, de nós mesmos. Não nos acomodamos, queremos uma vida em pleno. E ela é possível. Está nas nossas mãos. Está nas suas mãos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Psicologia sistémica</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Oct 2014 19:23:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[IFA Psicologia Clínica + Terapia Familiar]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Sistémica]]></category>
		<category><![CDATA[Terapia de casal e familiar]]></category>
		<category><![CDATA[o que é a psicologia sistémica]]></category>
		<category><![CDATA[terapia familiar]]></category>

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		<description><![CDATA[“Não sei o que se está a passar connosco. Éramos uma família feliz, com altos e baixos, mas feliz. O meu pai, que vivia connosco, morreu o ano passado. O meu filho mais velho saiu de casa, e eu estive três meses com um pé partido sem poder trabalhar nem fazer nada em casa. Sinto-me&#160;<br /><br /><a class="btn btn-success btn-lg" href="https://www.psicologiaclinicaifa.pt/psicologia-sistemica/">Continuar a Ler &#8594;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“Não sei o que se está a passar connosco. Éramos uma família feliz, com altos e baixos, mas feliz. O meu pai, que vivia connosco, morreu o ano passado. O meu filho mais velho saiu de casa, e eu estive três meses com um pé partido sem poder trabalhar nem fazer nada em casa. Sinto-me tão cansada…tenho a sensação de já não sermos os mesmos. Choro todos os dias, estou deprimida. E o pior é que não entendo como é que de repente tudo desabou.”</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Na psicologia sistémica, os problemas são olhados como sendo criados na relação entre os indivíduos, nos vários conjuntos ou sistemas de que fazem parte: a família, os amigos, os colegas, os vizinhos, o bairro, o país. Nas sessões de terapia sistémica, independentemente de quem está presente, o olhar sobre o problema e sobre as soluções é sempre relacional.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Nas sessões de terapia com esta família trabalhámos com a Teresa, com o marido, e por vezes também com os filhos. Tentámos entender, em conjunto, quem era esta família, e de que forma o problema de depressão apresentado pela Teresa estava ligado às interacções que se estabeleceram naquela família, naquele momento da vida. Entendemos como este momento de crise poderia estar relacionado com os pontos de mudança por que todas as famílias passam (por exemplo, a saída dos filhos de casa), e pelos pontos de mudança não normativos (neste caso, por exemplo, a morte de um ente querido). Tentámos, todos, encontrar soluções para que aquele conjunto de pessoas se transformasse e reorganizasse, mantendo-se, no entanto, a mesma família.</p>
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