<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Inês Franco Alexandre &#187; Intimidade</title>
	<atom:link href="https://www.psicologiaclinicaifa.pt/category/intimidade/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://www.psicologiaclinicaifa.pt</link>
	<description>Psicologia Clínica</description>
	<lastBuildDate>Sat, 06 Apr 2024 17:31:43 +0000</lastBuildDate>
	<language>en-US</language>
		<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
		<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=3.9.40</generator>
	<item>
		<title>Desejo OU segurança?  Desejo E segurança</title>
		<link>https://www.psicologiaclinicaifa.pt/desejo-ou-seguranca-desejo-e-seguranca/</link>
		<comments>https://www.psicologiaclinicaifa.pt/desejo-ou-seguranca-desejo-e-seguranca/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 02 Nov 2014 17:27:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[IFA Psicologia Clínica + Terapia Familiar]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Intimidade]]></category>
		<category><![CDATA[Terapia de casal e familiar]]></category>
		<category><![CDATA[desejo e relações estáveis]]></category>
		<category><![CDATA[individualidade e desejo no casal]]></category>
		<category><![CDATA[perda de desejo]]></category>
		<category><![CDATA[segurança]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.psicologiaclinicaifa.pt/?p=666</guid>
		<description><![CDATA[Muitos dos pedidos em terapia de casal, mesmo que não sejam revelados desta forma no início da terapia, estão relacionados com dificuldades na intimidade, sendo a perda ou diminuição do desejo de um dos parceiros uma das queixas mais frequentes. Existe a crença social que a paixão inicial não se prolonga ao longo do tempo:&#160;<br /><br /><a class="btn btn-success btn-lg" href="https://www.psicologiaclinicaifa.pt/desejo-ou-seguranca-desejo-e-seguranca/">Continuar a Ler &#8594;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Muitos dos pedidos em terapia de casal, mesmo que não sejam revelados desta forma no início da terapia, estão relacionados com dificuldades na intimidade, sendo a perda ou diminuição do desejo de um dos parceiros uma das queixas mais frequentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Existe a crença social que a paixão inicial não se prolonga ao longo do tempo: “antes fazíamos amor todos os dias e o desejo era recíproco. Mas claro, tudo isso diminui quando acordamos a falar sobre o que fazer para o jantar.”</p>
<p style="text-align: justify;">E será, de facto, necessariamente assim? A estabilidade na relação inibe o desejo?</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos terapeutas, perante este tipo de queixas, incita os casais a passarem mais tempo juntos, a ter tempo de qualidade só do casal. Se é verdade que a vida quotidiana retira, muitas vezes, disponibilidade para passar tempo a sós com o outro, também é verdade que essa dificuldade também existia, na maior parte das vezes, no início do relacionamento. Então o que mudou? Será esta estratégia terapêutica realmente adequada?</p>
<p style="text-align: justify;">A especialista Esther Perel fala-nos de duas necessidades básicas no ser humano, e do aparente confronto entre elas: a necessidade de segurança, estabilidade, confiança no outro e a necessidade de novidade, mudança, mistério.</p>
<p style="text-align: justify;">A estabilidade decorre do facto de eu conhecer o outro: como reage perante as situações, quais os seus valores fundamentais, do que gosta, quais os seus limites, que projectos tem. Isto permite-me inferir sobre a forma como vai reagir no futuro, e permite-me confiar e sentir-me seguro. O desejo de novidade tem que ver com uma necessidade intrínseca (e não apenas humana) de exploração, de curiosidade perante o mundo. No entanto, este desejo do desconhecido causa-nos ansiedade. Quem já observou um gato a explorar um objecto novo pode notar como os seus olhos brilham e como simultaneamente os seus movimentos denunciam o seu medo. Nas relações humanas, esta necessidade de exploração estará também relacionada com o desejo: apaixono-me pelo mistério que é o outro. Em resumo: precisamos de ter confiança e de diminuir a nossa ansiedade, mas também de mistério, que nos dá vida mas que aumenta a nossa ansiedade.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos tempos actuais, este confronto parece estar mais presente. Vivemos um clima de ansiedade geral: não sabemos se temos trabalho, se este se manterá, até quando nos manteremos no mesmo lugar, se temos de emigrar, se teremos dinheiro suficiente para pagar as contas. O mundo muda a mil à hora e perguntamo-nos se o conseguiremos acompanhar. E quem melhor do que o nosso companheiro para exercermos a nossa necessidade de controlo sobre o mundo? Esse que nós conhecemos tão bem, a quem reconhecemos o que quer só pelo olhar, que reage de forma tão previsível?</p>
<p style="text-align: justify;">Existirá solução? Como manter o desejo numa relação segura?</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez a(s) solução(ões) passe por entendermos, em primeiro lugar, que as duas necessidades não são opostas, se expressas de uma forma flexível e essencialmente realista. É verdade que a confiança no outro é imprescindível para estabelecermos vínculos seguros e saudáveis, inclusivamente para podermos explorar a nossa sexualidade com confiança. Mas será realista assumir que conhecemos, de facto, o outro? Que sabemos o que pensa, o que sente, como sente, como irá reagir, anulando-lhe dessa forma a sua complexidade que tanto nos apaixona? Será realista assumirmos que já não há nada a descobrir, e por isso nada a conquistar? Desejar é querer para nós, ainda que saibamos que isso nunca irá acontecer na totalidade. Porque no fundo, bem lá no fundo, existe a certeza de que o outro nos escapa na sua liberdade, na sua individualidade. A certeza pela segurança não só é ilusória como pode matar a admiração, uma das grandes componentes da paixão e do desejo.</p>
<p style="text-align: justify;">Não existirá uma solução, mas várias soluções diferentes para cada casal. Como terapeuta, tento fazer o contrário do que acontece com a maioria destes casais: mantenho-me curiosa e atenta a quem está à minha frente, tentando nunca perder a capacidade de me surpreender com as pessoas. Emociono-me (de verdade!) com cada nova descoberta, com cada mudança adquirida. E isso não me impede (antes pelo contrário) de estabelecer uma relação de grande confiança com quem comigo se cruza no consultório. Isso fá-los acreditar na verdade: que vale a pena descobri-los.</p>
<p style="text-align: justify;">E como terapeuta, desafio cada elemento dos casais a quem a rotina parece ter feito perder o desejo: a flexibilizar um pouco os seus limites de segurança e a arriscar-se a olhar para o outro como único e fascinante.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://www.psicologiaclinicaifa.pt/desejo-ou-seguranca-desejo-e-seguranca/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
